Assassinatos, celas congelantes, gestão mortal: o passado do presídio que Maduro está

Policiais estão posicionados em frente ao Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn (MDC Brooklyn), onde o presidente venezuelano Nicolás Maduro, capturado, está detido após sua primeira audiência judicial para responder a acusações federais dos EUA, incluindo narcoterrorismo, conspiração, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e outros crimes, na cidade de Nova York, EUA, em 5 de janeiro de 2026. REUTERS/Angelina Katsanis

Não faltam adjetivos tenebrosos para definir a prisão federal do Brooklyn, em Nova York (EUA), onde o ditador venezuelano deposto Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores, estão detidos desde o último sábado, 3.


Única prisão de Nova York para detentos à espera de julgamento ou transferência, o Metropolitan Detention Center (MDC) fica no sul da cidade e é uma das maiores do tipo nos Estados Unidos, com capacidade para cerca de 1.600 pessoas.


Por conta das péssimas condições, diferentes juízes já se recusaram a enviar presos para a unidade. Durante um inverno rigoroso em 2019, o MDC sofreu durante uma semana um apagão que afetou os sistemas de calefação e eletricidade.


Nesse período, os presos ficaram em celas congelantes, sem aquecimento. Uma investigação do jornal The New York Times sobre o caso mostrou que aquele era apenas mais um episódio de negligência e brutalidade no MDC.


No verão de 2024, dois detentos foram mortos a facadas por outros presos. Na ocasião, o advogado de um dos mortos chamou a prisão de “inferno na terra”, por ter permitido uma morte que era evitável.


Um juiz chegou a justificar que as mortes no local demonstravam “um ambiente de ilegalidade” e “uma má gestão inaceitável, repreensível e mortal”.


Em março de 2025, a Justiça acusou 25 pessoas – detentos, colaboradores externos e um ex-guarda – em uma série de casos de contrabando e violência. Em várias ocasiões, juízes de Nova York criticaram a falta de acesso de detentos a atendimento médico, condições indignas e problemas de corrupção.


Recentemente, autoridades começaram a conduzir ao local pessoas em situação migratória irregular. “O MDC do Brooklyn é um desastre sombrio e desumano que não deveria ter lugar na aplicação das leis migratórias”, declarou em agosto Daniel Lambright, assessor da União de Liberdades Civis de Nova York.


Um ex-funcionário do MDC disse ao jornal que a cadeira era uma “das mais problemáticas, senão a mais problemática, do sistema federal de prisões”. Um relatório do Departamento de Justiça concluiu que as autoridades lidaram de forma extremamente inadequada com a crise.


Presos famosos

Entre os nomes que estão presos no MDC está o rapper e produtor musical Sean Combs, conhecido como P. Diddy, acusado de tráfico sexual. Outro exemplo é Luigi Mangione, que aguarda julgamento pelo assassinato do CEO da UnitedHealthcare, Brian Thompson.


Ghislaine Maxwell, ex-namorada de Jeffrey Epstein presa por participar do esquema de exploração sexual do financista, passou pelo MDC antes de ser transferida para outra unidade.


Outro famoso que esteve preso no local é o cantor R. Kelly, condenado a 30 anos de prisão por pornografia infantil e extorsão. Ele foi transferido para a Carolina do Norte.


O ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) José Maria Marin é mais um nome conhecido que foi detido no MDC antes de começar a cumprir pena por corrupção.


Também esteve por lá Samuel Bankman-Fried, apelidado de “rei das criptomoedas”, condenado por acusações de fraude e conspiração envolvendo as empresas FTX e Alameda Research.


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