Ameaças contra mulheres diminuem no Acre, mas jovens seguem como principais vítimas

Os registros de ameaça contra a mulher no Acre apresentaram redução em 2025 quando comparados ao mesmo período de 2024, segundo dados do painel da Coordenação de Dados Estatísticos da Polícia Civil do Acre. Em ambos os anos, os números disponíveis correspondem exclusivamente aos meses de janeiro a setembro, o que permite uma comparação direta e sem distorções temporais.
De acordo com os dados oficiais, foram 2.017 vítimas registradas entre janeiro e setembro de 2024, contra 1.280 no mesmo período de 2025, uma diminuição de 737 ocorrências, equivalente a uma queda de aproximadamente 36,5%.
Redução ocorre na capital e no interior
A retração no número de registros foi observada tanto na capital quanto no interior do estado, embora com mudança na distribuição territorial da violência.
Em 2024, os casos estavam praticamente divididos de forma equilibrada:
Capital: 998 registros;
Interior: 1.019 registros.
Já em 2025, o interior passou a concentrar mais ocorrências:
Capital: 544 registros;
Interior: 736 registros.
O dado indica que, apesar da queda geral, há uma perda de centralidade da capital no volume de denúncias, enquanto o interior assume maior protagonismo proporcional.
Rio Branco segue liderando os registros
Mesmo com a redução, Rio Branco permanece como o município com maior número absoluto de casos nos dois períodos analisados. Em 2024, a capital concentrou 998 registros entre janeiro e setembro; em 2025, foram 544 no mesmo intervalo.
Outros municípios do interior seguem aparecendo com números relevantes, como Cruzeiro do Sul e Sena Madureira, reforçando a capilarização da violência doméstica e familiar no estado.
Perfil etário das vítimas não muda
A análise por faixa etária mostra que a redução no número de ocorrências não alterou o perfil das vítimas. Em ambos os anos, as mulheres jovens seguem sendo as mais atingidas:
18 a 29 anos
2024: 646 vítimas;
2025: 432 vítimas;
30 a 39 anos
2024: 557 vítimas;
2025: 361 vítimas;
Essas duas faixas etárias concentram a maior parte dos registros, evidenciando que a violência continua incidindo com mais força sobre mulheres em idade economicamente ativa.
Perfil racial segue o mesmo padrão
O recorte racial também apresenta continuidade. As mulheres pardas seguem como maioria absoluta das vítimas:
2024: 1.062 registros;
2025: 583 registros;
Queda mensal consistente em 2025
Enquanto em 2024 os registros mensais entre janeiro e setembro frequentemente ultrapassaram a marca de 220 casos, em 2025 os números se mantiveram mais baixos e estáveis, sem picos abruptos ao longo do período analisado.
Essa constância pode sugerir que a queda observada em 2025 não é resultado de um único mês atípico, mas de uma redução sustentada ao longo do ano, embora os dados estatísticos não permitam identificar as causas exatas do fenômeno.

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