O Irã entenderá qualquer ataque contra o país como “uma guerra total” contra eles, informou hoje um alto funcionário iraniano à agência de notícias Reuters. A declaração ocorre enquanto navios militares enviados pelos EUA estão a caminho da região.
O que aconteceu
Forças Armadas iranianas estão “preparadas para o pior cenário”, disse o funcionário, que falou sob anonimato. “Esperamos que [este reforço militar dos EUA] não tenha como objetivo um confronto real— mas nossas forças armadas estão preparadas para o pior cenário. Por isso, há o estado de alerta máximo no Irã”, acrescentou.
De acordo com a fonte, qualquer ataque, mesmo que seja limitado, será entendido como uma “guerra total” contra eles. O Irã irá responder “da maneira mais dura possível para resolver isso”, acrescentou.
“Se os americanos violarem a soberania e a integridade territorial do Irã, nós responderemos”, disse o oficial iraniano. Ele não quis informar qual seria a forma de resposta do Irã às ações norte-americanas. A fonte ressaltou que o país, sob constante ameaça dos EUA, não tem outra opção senão “garantir que todos os recursos disponíveis possam ser usados para repelir e, se possível, restaurar o equilíbrio contra qualquer um que ouse atacar o Irã”.
As forças armadas norte-americanas já enviaram reforços militares para o Oriente Médio no passado. O encaminhamento ocorria durante períodos de tensão elevada, tendo geralmente um caráter defensivo. Todavia, no ano passado, o país liderado por Donald Trump aumentou o número de tropas antes de atacar o Irã devido ao programa nuclear iraniano em junho de 2025.
Trump anunciou envio
Ontem, Trump disse que navios militares estão a caminho do Irã, mas que espera não precisar atacar o país. O republicano afirmou que os recursos militares foram enviados à região por “precaução”. “Temos uma grande flotilha indo para lá e veremos o que acontece. Temos uma grande força indo em direção ao Irã”, disse o republicano a repórteres a bordo do avião presidencial, segundo a CNN Internacional.
“Eu preferiria que nada acontecesse, mas estamos monitorando-os de perto”, acrescentou o presidente. Ele citou que as execuções de manifestantes presos em meio à onda de protestos no país foram suspensas.
A mídia estatal iraniana informou ontem que 3.117 pessoas morreram nos protestos que eclodiram no final de dezembro e que, segundo ativistas, foram brutalmente reprimidos. No entanto, grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que esse número pode ser maior e apontou que algumas estimativas indicam que “entre 5 e 20 mil manifestantes podem ter sido assassinados”.
O comboio vai ao Oriente em meio a tensões entre EUA e Irã. O país norte-americano se envolveu diretamente sobre uma série de manifestações no país persa que deixou milhares de mortos nas últimas duas semanas, repudiando a atitude do governo iraniano. Os protestos reivindicam o fim do regime dos aiatolás e a queda no custo de vida no país.