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Acre tem pior cobertura de vacinação contra HPV no país em 2025

O estado do Acre apresentou o pior índice de vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) entre crianças e adolescentes em 2025, ficando abaixo das médias nacional e regional do Norte do Brasil. Dados oficiais revelam uma cobertura vacinal preocupante, especialmente quando comparada ao desempenho de anos anteriores e a outros estados.


De acordo com os dados de 2025, a cobertura vacinal para o público feminino de 9 a 15 anos no Acre foi de apenas 57,52%, com variações por faixa etária: 47,37% para meninas de 9 anos, 61,02% para 10 anos, 65,51% para 11 anos, 61,28% para 12 anos, 58,02% para 13 anos e 52,52% para 14 anos. No público masculino de 9 a 14 anos, o índice foi ainda mais baixo, alcançando 49,01%, distribuídos em: 41,24% para 9 anos, 50,85% para 10 anos, 55,52% para 11 anos, 54,70% para 12 anos, 49,80% para 13 anos e 42,32% para 14 anos.


Para ser justo, os números representam uma melhora modesta em relação a 2024, quando a média para cobertura masculina de 9 a 14 anos era de 38,17% e a feminina de 48,77%. No entanto, o Acre continua muito aquém da média brasileira de 2025, que registrou 84,94% para meninas de 9 a 14 anos e 73,25% para meninos na mesma faixa etária. Na região Norte, os índices foram de 82,91% para o público feminino e 71,51% para o masculino, destacando o isolamento do Acre como o estado com o pior desempenho no país.


Em entrevista exclusiva ao ac24horas, o médico pediatra e especialista em imunologia Dr. Guilherme Augusto Pulici, formado pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e atuante no Acre, analisou as causas dessa queda, os impactos na saúde pública e os caminhos para a reversão.


Dr. Pulici contextualiza essa realidade ao recordar o pico de vacinação em 2015, quando o Acre atingiu 114% do público-alvo feminino, superando metas graças a campanhas iniciais robustas. “A queda drástica na imunização contra o papilomavírus humano (HPV) no Acre após 2015 pode ser atribuída a múltiplos fatores, que refletem tendências observadas internacionalmente e regionalmente”, explica o especialista. Ele cita estudos que apontam “preocupações com a segurança da vacina, falta de recomendação ativa por profissionais de saúde, desinformação sobre a necessidade da vacina, e barreiras socioeconômicas e estruturais” como principais culpados.


Foto: Whidy Melo

A hesitação vacinal, agravada pela pandemia de Covid-19, tem impactos diretos na saúde das crianças e adolescentes. Os dados de 2025 mostram que faixas etárias como 9 e 14 anos apresentam as coberturas mais baixas tanto para meninos quanto para meninas, o que pode aumentar o risco de infecções por HPV, responsável por cânceres como o de colo do útero, além de verrugas genitais.


“Sim, tem sido cada vez mais comum observar patologias relacionadas à falta de imunização em consultório médico, à medida que a queda nas taxas de vacinação e o aumento da hesitação vacinal levam a surtos”, pontuou.


Entre as dúvidas mais frequentes levantadas por pais, crianças e adolescentes, o médico destaca questões sobre segurança e eficácia. “As principais dúvidas de crianças, adolescentes e pais em relação à vacina contra o papilomavírus humano (HPV) incluem: segurança, possíveis eventos adversos, eficácia na prevenção de cânceres e verrugas genitais, idade de início da imunização e necessidade de vacinação em meninos”, relatou Dr. Pulici.


Ele ressalta um episódio regional que agravou a desconfiança: “Houve um agravante regional quando tivemos casos de eventos adversos que inicialmente foram atribuídos à vacina contra HPV, mas que estudos conduzidos pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP descartaram essa possível associação”, ressaltou.


Apesar das preocupações, o especialista enfatiza a segurança da vacina, respaldado por evidências científicas. “As evidências atuais são robustas e consistentes: a vacina contra HPV apresenta excelente perfil de segurança. Não há associação entre a vacina e doenças autoimunes, neurológicas ou óbitos, e que o perfil de segurança é semelhante entre as vacinas quadrivalente e 9-valente”, explicou.


Para reverter o quadro alarmante no Acre, onde a cobertura masculina é de 49,01% em 2025, é quase 25 pontos percentuais abaixo da média nacional, Dr. Pulici sugere estratégias comprovadas. “A literatura médica mostra que os melhores resultados foram atingidos em países que adotaram o método de imunização escolar e isso foi feito inicialmente aqui, mas não foi suficiente”, observou.


Os dados de 2025 revelam desigualdades internas: enquanto meninas de 11 anos atingem 65,51%, meninos de 9 anos ficam em 41,24%, indicando necessidade de campanhas direcionadas. Comparado à média do Norte (71,51% masculino e 82,91% feminino), o Acre precisa urgente de ações para equiparar-se. “Estratégias para reverter essa tendência devem focar em educação, comunicação transparente sobre segurança e benefícios e redução das desigualdades de acesso”, concluiu Dr. Pulici.


A Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) foi procurada para colaborar sobre o assunto, mas até o fechamento desta matéria, não respondeu.


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