Taylan Kurtul morreu aos seis anos de idade em decorrência de um tumor no cérebro. Mas, inicialmente, a criança teve seus sintomas confundidos com visão turva e cansaço devido às atividades extracurriculares.
“Busquei o Tay na escola e, no caminho para casa, ele disse: ‘Mamãe, às vezes, quando olho para as coisas, elas ficam embaçadas.’ Liguei para o oftalmologista naquela tarde e marquei uma consulta para o dia seguinte. O Tay foi examinado e tudo parecia bem, sem preocupações com a visão dele. Continuei perguntando sobre a visão dele, mas ele não mencionou mais nada e parecia estar em seu melhor estado”, conta sua mãe, Laura, em depoimento publicado no site da Brain Tumour Research.
Pouco tempo depois, Tay começou a sentir dor de cabeça, fadiga extrema, emoções intensas e dores de estômago, antes de sentir tontura e instabilidade ao se levantar. Embora Laura achasse que ele pudesse estar muito cansado por causa das atividades extracurriculares, ela levou o filho ao médico.
Dias depois, uma tomografia computadorizada revelou uma massa em seu cérebro.
“Meu marido, Toygun, e eu fomos informados do inimaginável — o pior pesadelo de qualquer pai — que eles tinham encontrado uma massa no cérebro de Taylan. Lembro-me de não conseguir sentir minhas pernas quando recebemos a notícia de partir o coração e a voz do pediatra parecia tão distante. Parecia que era só eu no quarto e eu estava gritando por dentro, mas totalmente entorpecida por fora, embora tremendo de medo. Foi um momento que me assombrará para sempre”, conta Laura.
Novos exames confirmaram um meduloblastoma de alto grau — um tumor cerebral cancerígeno comum em crianças que se inicia na parte de trás do cérebro, conhecida como cerebelo. Essa região é responsável pela coordenação muscular, equilíbrio e movimento.
Taylan foi submetido a uma cirurgia de sete horas, na qual os cirurgiões removeram com sucesso 99% do tumor. Porém, quando Tay recuperou a consciência após a cirurgia, ele estava com uma condição chamada síndrome da fossa posterior (SFP), um conjunto de sintomas neurológicos que podem ocorrer após a ressecção cirúrgica de um tumor da fossa posterior e que se desenvolve em cerca de 25% das crianças com meduloblastoma.
Ele não conseguia sentar-se, andar ou comer; tinha problemas de visão e havia perdido a capacidade de falar. Outros sintomas comuns da síndrome da fossa posterior incluem perda do controle muscular, que pode se manifestar como movimentos rápidos dos olhos de um lado para o outro, fraqueza em um lado do corpo e alterações comportamentais.
Os sintomas geralmente melhoram lentamente ao longo de algumas semanas ou meses, mas em algumas crianças eles podem nunca desaparecer completamente, causando um impacto significativo em sua qualidade de vida.
Laura conta que poucos dias após a cirurgia, Tay estava montando seu Lego novamente e, após três semanas, a fala começou a voltar e sua mobilidade melhorava a cada dia, até que ele finalmente conseguiu andar sem ajuda e falar novamente.
Após a cirurgia, crianças com mais de três anos geralmente recebem quimioterapia e radioterapia no cérebro e na coluna para tratar o câncer e reduzir a chance de ele retornar. Então Tay foi submetido a um tratamento de seis semanas com feixe de prótons (uma forma avançada de radioterapia), o que significou seis semanas longe de casa, anestesia geral diária e 30 sessões de radiação em todo o cérebro e coluna.
Pouco antes de começar a quimioterapia, Tay começou a apresentar enjoos matinais. Ele então foi submetido a um novo exame, que mostrou que mostraram mais tumores espalhados pela superfície do cérebro e da coluna. Os médicos então disseram que o tumor era muito agressivo e não havia mais possibilidade de cura.
Após o que Laura descreveu como uma “decisão impossível”, ela e o marido decidiram interromper o tratamento, pois sentiam que isso apenas adiaria o inevitável e deixaria Tay ainda mais doente, à medida que ele começava a apresentar sinais de demência precoce.
“Sabíamos que toda a progressão estava tomando conta e não era mais justo com Tay continuar lutando. Seu corpinho já tinha passado por muita coisa.”
Taylan faleceu em fevereiro de 2024. Agora, sua família está pedindo aos pais que não ignorem os sinais de alerta do câncer agressivo e defendam seus filhos, mesmo quando os sintomas parecem inofensivos.
Muitos dos sinais e sintomas são gerais e inespecíficos, mas podem incluir dores de cabeça ao acordar, náuseas ou vômitos, visão dupla, dificuldade para sentar ou ficar em pé sem apoio, alterações comportamentais e perda de apetite. Os pais são aconselhados a levar seus filhos ao médico se estiverem preocupados com a possibilidade de eles apresentarem sintomas.