Celebrado nesta quarta-feira (2), o Dia Mundial de Conscientização do Autismo traz além da necessidade da inclusão, dados alarmantes sobre diagnósticos tardios e errôneos, que acabam sentenciando esses cidadãos a uma vida de incompreensão e de oportunidades perdidas. Segundo a CDC, estima-se que no Brasil existam 3 milhões de autistas adultos(as).
De acordo com o neurologista e referência nacional em TEA, Dr. Matheus Trilico, a falta de diagnóstico ou suporte adequado influencia no aumento de casos de depressão, ansiedade e até mesmo de mortalidade precoce para essas pessoas.
Com o objetivo de conscientizar a população, foi realizada a pesquisa “Autistic Spectrum Disorder: The Lost Generation”, que foi publicada no The Lancet Psychiatry. Os dados revelam que os níveis de pacientes sistematicamente negligenciados pelas políticas públicas e pela atenção social são alarmantes.
Diagnóstico tardio do espectro autista
O diagnóstico tardio não é considerado apenas um atraso médico, mas acarreta em anos de sofrimentos para esses cidadãos. A maioria acaba sendo rotulada como frios ou desinteressados quando, apenas, estão à procura por conexão, ao mesmo tempo em que lutam para lidar com as diferenças sociais. De acordo com o especialista, ao serem diagnosticados, a busca por estratégias de adaptação e suporte se tornam mais fáceis.
“O diagnóstico tardio é como finalmente receber um mapa depois de anos perdido em um labirinto. É um alívio, mas também um lembrete doloroso do tempo perdido e das oportunidades perdidas. Muitos adultos relatam que, após o diagnóstico, conseguem entender melhor seus comportamentos e necessidades”, comenta o especialista.
Talentos desperdiçados
Apesar de ainda serem deixados de lado por boa parte da população, é importante ressaltar o potencial e talentos únicos em áreas específicas, como programação, análise de dados, design e artes visuais que adultos com autismo têm.
“Empresas que adotam práticas de inclusão neurodiversas relatam aumento da produtividade, da criatividade e da inovação. “É importante que as corporações ofereçam treinamento para seus funcionários sobre como interagir com colegas autistas, além de adaptar o ambiente de trabalho para atender suas necessidades”, concluiu Matheus Trilico.
É necessária a conscientização sobre a atenção que os cidadãos diagnosticados com TEA merecem. A data é uma lembrança para a polução não segmentar qualquer indivíduo, mas sim acolher a neurodiversidade.
Fonte: RIC.COM.BR