Nos dois primeiros meses de 2025, os Estados Unidos foram o principal destino das exportações do café do Brasil. Especialistas consultados pela CNN avaliam que a tarifa de 10% que será aplicada sobre a importação de café brasileiro vai trazer impacto, principalmente, para o fluxo do comércio e para o consumidor norte-americano.
De acordo com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o Brasil exportou 1,2 milhão de sacas de café para os EUA no primeiro bimestre de 2024, totalizando US$ 423,8 milhões em receita.
O conselheiro do Carf (Conselho de Administração de Recursos Fiscais), Laércio Ulliana, destaca que os demais países que competem com o Brasil na exportação de café para os EUA terão taxas iguais ou superiores às aplicadas sobre o grão brasileiro.
Assim como o Brasil, as exportações da Colômbia serão taxadas em 10%. Já a tarifa do Vietnã será de 46%, enquanto a Indonésia será taxada em 32%.
“Talvez o cenário seja até favorável ao Brasil nesse aspecto porque os demais países que exportam café para os Estados Unidos podem ter uma taxação até superior ao Brasil, e os produtos brasileiros ganham competitividade. Para o agronegócio, pode ser uma boa”, disse Ulliana à CNN.
Já para o diretor do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, é difícil avaliar se a taxa de 10% sobre o café brasileiro pode ser positiva para o Brasil, uma vez que as tarifas vão impactar o consumo do produto no mercado norte-americano.
“É difícil falar sair ganhando porque, com a inflação e o custo para os americanos, a gente fica com receio de impactos na demanda. Não é bom para ninguém. O Brasil está em pé de igualdade com outros países de origem [de café]. É um alívio por não estar nas taxas maiores. [Mas] É ruim para o consumo”, afirmou à CNN.
Matos também considera inviável a concretização de um cenário em que os Estados Unidos se tornem autossuficientes na produção de café. O presidente norte-americano, Donald Trump, justifica que as tarifas recíprocas são necessárias para estimular e fortalecer a produção e a economia norte-americana.
“Os EUA são o maior consumidor do mundo de café. Tem algumas fazendas de café. Insignificantes. Por uma questão climática, de origem, os EUA jamais vão ser um produtor de café. […] Não tem a menor possibilidade de se tornar produtor. Pelo contrário, tem uma dependência [dos outros países]”, disse Marcos Matos.
O diretor da Cecafé ressalta que a taxa de 10% sobre o café brasileiro não deve aumentar o preço do grão no Brasil. Segundo Matos, variáveis como mudanças climáticas e o tamanho da safra têm maior influência sobre o valor de venda do produto dentro do território brasileiro.