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Dólar sobe e bate R$ 5,51, mesmo com prévia da inflação abaixo da expectativa

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Notas de dólar — Foto: Gary Cameron/Reuters

O dólar opera em alta nesta quarta-feira (25), dia em que o mercado analisa os novos dados da prévia da inflação brasileira para junho. A alta de preços foi de 0,39% em junho, abaixo das expectativas do mercado financeiro, mas com núcleo de serviços preocupante.


Na véspera, houve piora no câmbio e o dólar voltou ao patamar dos R$ 5,45, conforme investidores repercutiram os sinais na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Os membros enfatizaram um discurso mais cauteloso sobre a condução da taxa básica de juros, a Selic. (saiba mais abaixo)


Além disso, o cenário no exterior segue incerto, em especial após uma declaração de uma diretora do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) que também reiterou que os juros americanos devem permanecer altos por mais tempo. O mercado espera dados de inflação americana na sexta-feira para reafirmar essa posição.


Veja abaixo o resumo dos mercados.


Dólar

 


Às 10h, o dólar operava em alta de 1,12%, cotado a R$ 5,5144. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,5144. Veja mais cotações.


No dia anterior, a moeda norte-americana avançou 1,16%, cotado a R$ 5,4534.


Com o resultado, acumulou:


  • •alta de 0,23% na semana;
  • •ganho de 3,89% no mês;
  • •alta de 12,38% no ano.

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No mesmo horário, o Ibovespa operava em queda de 0,30%, aos 121.965 pontos.


Na véspera, o índice fechou em queda de 0,25%, aos 122.331 pontos.


Com o resultado, acumulou:


  • alta de 0,82% na semana;
  • ganhos de 0,19% no mês;
  • perdas de 8,83% no ano.

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O que está mexendo com os mercados?

 


A principal notícia desta quarta-feira é o resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) — considerado a prévia da inflação oficial do país, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


A prévia da inflação registrou uma alta de 0,39% nos preços de junho. A expectativa do mercado financeiro era de que o IPCA-15 tivesse uma alta de 0,45% em junho.


Os índice foi puxado principalmente pela alta de 0,98% no grupo de Alimentação e bebidas, com um impacto de 0,21 ponto percentual (p.p.) no indicador.


“O grupo alimentação no domicílio é o mais afetado pelas enchentes do RS, nele observamos a elevação de itens in natura e leite”, diz Leonardo Costa, economista do ASA.


 


No mês passado, em maio, o indicador registrou um avanço de 0,44%, uma aceleração de 0,23 pontos percentuais (p.p.) em relação a abril, quando teve alta de 0,21%.


Em 12 meses, porém, o IPCA-15 acumulou uma ata de 4,06% até junho, acima dos 3,70% observados nos 12 meses anteriores.


“Foi um resultado com qualitativo não muito bom, pois os preços de serviços subjacentes — que importam bastante à condução da política monetária — se aceleraram para níveis acima do esperado”, diz Maykon Douglas, economista da Highpar.


“Os preços se desaceleraram quando se anualiza as variações mais recentes, ou seja, variam um pouco menos do que vimos no início do ano. No entanto, o qualitativo recente da inflação segue exigindo atenção, uma vez que o mercado de trabalho continua aquecido e surpreendendo para cima.”


No fim do dia, o mercado também fica de olho na reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), que deve discutir as metas de inflação. O governo decidiu manter a meta de inflação em 3% para os próximos anos, mas decidiu pela mudança no sistema.


O sistema era o chamado “ano-calendário”, que analisa a inflação de janeiro até dezembro. Foi decidido que vai virar um sistema de “meta contínua”, em que vai se analisando continuamente se a meta está dentro do que foi definido, se a inflação está dentro da meta definida.


Como explica o blog do Valdo Cruz, a alteração será de um período “janeiro a dezembro” para um prazo de dois a três anos. O BC teria mais tempo para levar a inflação para o centro da meta, evitando uma política mais rígida para ancorar a expectativa de inflação.


O Banco Central já mira uma inflação além do ano-calendário. A interrupção na queda de juros já teve o objetivo de evitar essa desancoragem da inflação principalmente em 2025.


Na terça-feira, um dos fatores de piora do câmbio foi divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Após sete reduções seguidas na taxa Selic o colegiado decidiu fazer uma pausa no ciclo de cortes e manter os juros em 10,50% ao ano.


A decisão veio em linha com as atuais expectativas do mercado, mas ainda representa uma previsão maior de juros para 2024 em relação ao observado no começo do ano, além de indicativos de que os riscos que o BC leva em conta para mexer na Selic estão mais preocupantes.


O comitê informou, no documento, que o controle das estimativas de inflação, que estão em alta, requer uma “atuação firme” da autoridade monetária, e acrescentou que se manterá “vigilante”. Além disso, avaliou que “eventuais ajustes futuros” na taxa de juros, com possíveis aumentos na Selic, “serão ditados pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta”.


“O cenário das contas públicas ainda é um grande problema, e estamos entrando em período eleitoral e de possível aumento de gastos. Essa é uma preocupação do Copom e do mercado financeiro”, diz Helena Veronese, economista-chefe da B. Side Investimentos.


 


“Além disso, o BC trouxe projeções de inflação mais altas, que podem em breve ultrapassar o teto da meta. Isso piora a percepção de risco da economia e impacta o câmbio”, explica.


Para Leonado Costa, do ASA, a ata indica um “aumento da incerteza do cenário, com piora no ambiente externo e na ancoragem das expectativas” de inflação, que agora estão em níveis mais distantes da meta de 3%.


Além disso, diz o economista, confirma a interrupção do ciclo de quedas e manutenção de uma taxa Selic mais alta, em um patamar contracionista para a economia, até que se consolide o processo de desinflação.


Outro ponto que deu força ao dólar foi a declaração da diretora do Federal Reserve Michelle Bowman, que reiterou sua opinião de que manter a taxa de juros dos Estados Unidos estável “por algum tempo” provavelmente será suficiente para deixar a inflação sob controle.


Juros mais altos nos Estados Unidos tornam os emergentes menos atrativos, o que inclui o Brasil. Assim, os investidores levam investimentos para economias desenvolvidas e o real tende a se desvalorizar ainda mais.


“A inflação nos EUA continua elevada, e ainda vejo vários riscos de aumento da inflação que afetam minha perspectiva”, disse Bowman em comentários preparados para uma apresentação em Londres.


 


Bowman disse ainda que conflitos regionais podem pressionar para cima os preços da energia e dos alimentos, e condições financeiras mais frouxas ou estímulos fiscais também podem estimular a inflação.


“Se os dados que estão chegando indicarem que a inflação está se movendo de forma sustentável em direção à nossa meta de 2%, será apropriado em algum momento reduzir gradualmente a taxa de juros para evitar que a política monetária se torne excessivamente restritiva”, disse ela.


Entretanto, Bowman destacou que a economia “ainda” não chegou a esse ponto, acrescentando que “permanecerá cautelosa” em sua abordagem da política monetária e previu que os bancos centrais de outros países poderão afrouxar mais cedo ou mais rapidamente do que o Fed.


Os investidores estarão atentos à divulgação na sexta-feira de números do índice PCE de maio, o indicador de inflação preferido do Federal Reserve, para reiterar a posição de Bowman. Analistas projetam estabilidade, ante alta de 0,3% em abril.


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