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À espera de casa popular, famílias ocupam há um mês entrada da Aleac

aleac_iiHá um mês, a entrada principal da sede da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), em Rio Branco, tornou-se a ‘casa’ de várias famílias, que reivindicam a entrega de casas populares. A maioria estava no programa de Aluguel Social pago pelo governo, porém, reclamando de atrasos decidiram ocupar o espaço até conseguir uma solução.


Outras famílias, ocuparam a Aleac após a polícia cumprir ordens judiciais durante a terceira fase da ‘Operação Lares’. Atuamente, conforme os ocupantes, em torno de 50 pessoas dividem o pequeno espaço.


Ao G1, o porta-voz do governo Leonildo Rosas, diz que a proposta do governo é o retorno das famílias ao Aluguel Social, até que elas sejam sorteadas para receber unidades habitacionais.


Cansadas de esperar o sorteio no Programa Minha Casa Minha Vida, algumas dessas famílias resolveram invadir, no dia 23 de maio, casas populares no Conjunto Rui Lino e foram expulsas pela polícia. Os invasores eram moradores do Beco do H, Conjunto Esperança, e alegaram que o pagamento do aluguel social estava atrasado e por isso teriam sido despejados. Os moradores ainda fecharam o Terminal Urbano como forma de protesto.


Apenas uma minoria dos acampados não estava no Aluguel Social, no entanto, eles dizem esperar há sete anos pelo sorteio da tão sonhada casa própria. Uma dessas sonhadoras é Josiane Braga de Oliveira, de 21 anos, que está com os dois filhos, de 10 e 5 anos. Ela morava em uma casa alugada no final do Bairro Seis de Agosto, e diz que se viu obrigada a sair depois que um vizinho tentou estuprá-la e de ter sofrido um furto na casa.


“A casa onde morava ficava na beira do Igarapé Judia. Foram lá em 2009 e fiz minha inscrição, mas nunca me ofereceram Aluguel Social. Falam que é para quem realmente precisa, mas isso é uma mentira. Sou uma pessoa extremamente necessitada, não tenho pra onde ir e ainda não fui sorteada”, reclama.


Os poucos móveis que sobraram do arrombamento, Josiane deu um jeito de arrumar na entrada da Aleac. Sem emprego ou moradia, a dona de casa conta que assim que soube que as famílias tinham ocupado a Aleac, pegou uma barraca emprestada e resolveu fazer parte do protesto. Ela caracteriza a situação como humilhante e lamenta que os filhos tenham que passar por tal sofrimento.


“Como mulher, é humilhante essa situação. Estou com duas crianças pequenas, como não fica a cabeça delas passando por isso?. É humilhação para mim e elas. Estamos aqui jogados, comendo porque os outros ajudam”, lamenta a mãe.


‘Só saio com minha casa’, diz morador
O caso do autônomo José Maria Lopes, de 42 anos, se diferencia um pouco do da ‘vizinha’ de barraca. Lopes foi um dos moradores que invadiu as casas no Conjunto Rui Lino e foi expulso. Ele conta que a esposa e os três filhos, de 17, 13 e 4 anos, continuam morando na casa disponibilizada há dois anos pelo governo, no Beco da Tuca, Conjunto Esperança, contudo, o aluguel é pago com dinheiro recebido do seguro desemprego dele.


“Teve vez que o aluguel atrasou cinco meses. Na maioria das vezes paguei com meu dinheiro. Não trouxe minha família para cá para preservá-la. Mas, estou acampado aqui e só saio com minha casa. Tem gente que veio com tudo porque a família é pequena. Eu tenho gato, cachorros, codornas e não dá pra trazer, mas mantenho o acampamento”, comenta o autônomo.


Questionado sobre o que pretende fazer se ainda não tiver recebido uma casa quando o dinheiro do seguro acabar, Lopes diz vai se virar como puder.


Para ele, o acampamento no local é uma forma de pressionar o governo a entregar as resisdências. “Ninguém quer alugar casa pro governo porque não pagam. Vou fazer uns ‘bicos’ e ir sobrevivendo”, confessa o morador.


Já Maria da Conceição, de 50 anos, tomou uma decisão diferente. Maria trouxe os móveis, o filho, a nora, e os dois netos, de 1 e 5 anos, para o acampamento. A dona de casa morava uma casa no Beco do H, Conjunto Esperança, e também foi uma das expulsas do Conjunto Rui Lino, durante ação da Polícia Civil.


“Se não tivessem tirado a gente [do Rui Lino] estava lá até hoje. Foi a pior noite da minha vida. Prometeram que meu aluguel não ia atrasar. Faço tratamento contra câncer, recebo apenas um auxílio doença, e não posso pagar aluguel. É muito difícil, compro remédios. Esses dias aqui foram horríveis, não é fácil. Passamos muito frio, ouvimos humilhação das pessoas”, fala.


Segundo o porta-voz, o governo não deve ceder às exigências. “O que o governo poderia fazer ele fez, pagou o aluguel social. Não vamos colocar ninguém a frente dos critérios, porque isso incorreria em ilegalidade. Entendemos que é um ato mais politiqueiro que de pessoas necessitadas. O governo não ceder a pressão nem cometer ilegalidades. Eles estão por opção e não por necessidade”, finaliza.


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G1 ACRE


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